UFSCar oferta curso de Engenharia de olho no futuro

Às vésperas de completar seus 50 anos, junto com a própria UFSCar, o curso de graduação em Engenharia de Materiais iniciou em 2019 mais um capítulo importante da sua história: o curso foi selecionado para integrar o Programa Brasil-Estados Unidos de Modernização da Educação Superior na Graduação (PMG-EUA), patrocinado pela Coordenação de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela Comissão Fulbright. O objetivo da iniciativa – composta por apenas oito cursos de Engenharia em todo o Brasil – é promover aprimoramentos curriculares e de métodos de ensino e de gestão, em cooperação com instituições dos Estados Unidos. A duração é de oito anos – de 2019 a 2026 -, e a UFSCar deve receber, no total, um valor de cerca de R$ 2,7 milhões.

Um dos aspectos centrais da proposta da UFSCar – apelidada de Movimenta Materiais – é a configuração, na estrutura curricular do curso, de duas novas “trilhas de formação”: “Inovação tecnológica e empreendedorismo” e “Engenharia de Materiais computacional”. Nas trilhas, para além das ênfases atuais do curso – em materiais cerâmicos, metálicos ou poliméricos -, o estudante poderá flexibilizar sua formação em um conjunto de disciplinas integradas a partir das temáticas selecionadas. Também estão previstas a construção e a implementação – em 2026 – de um novo projeto pedagógico.

O ex-aluno Wagner Moulin Silva, que hoje é Gerente de Marketing Técnico na austríaca RHI Magnesita, em Viena, reforça a pertinência das temáticas escolhidas. “Hoje, o que o mercado espera, mesmo de quem é empregado, é a visão empresarial. Além disso, só se fala em indústria 4.0, machine learning, big data, coisas que não são o futuro, já são realidade”, afirma. “São aspectos extremamente relevantes. É impossível falar em inovação sem falar de avanços na área de digitalização e automação. Além disso, o mundo hoje é cada vez mais interdisciplinar e não podemos nos apoiar apenas na nossa área de conhecimento”, corrobora o também egresso da UFSCar Eric Yoshimitsu Sako, hoje Engenheiro de Desenvolvimento na empresa Saint-Gobain.

“É fundamental destacar que não estamos partindo do zero. No projeto pedagógico atual, por exemplo, implementado em 2005, vários aspectos já estavam previstos. O Movimenta Materiais é uma nova oportunidade de mobilização e envolvimento de toda a comunidade, o que é fundamental para o sucesso da iniciativa”, registra um dos coordenadores do Movimenta, Daniel Rodrigo Leiva, docente do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa). “A gente precisa entender o que já está implementado, se funciona, o que tem de mudar, quando e como. Lá na frente, quando tivermos um novo projeto pedagógico, a intenção é permanecermos na vanguarda, e que esse novo projeto, 15 anos depois, continue sendo moderno”, acrescenta Lidiane Cristina Costa, também docente do DEMa e responsável por um dos cinco grupos de trabalho criados na estrutura de governança da iniciativa na UFSCar (Métodos, Infraestrutura, Missões, Assistentes e Comunicação).

Em relação às metodologias de ensino, o projeto parte da constatação de que, frente a novas gerações de estudantes, com perfis diferentes, são necessárias novas abordagens para que o curso possa manter seu compromisso com a aprendizagem. A meta é abrir a possibilidade de todos os docentes e outros agentes do processo educativo conhecerem quais são as metodologias disponíveis e como utilizá-las. “Não se trata de impor um modelo. É preciso que o docente se sinta estimulado e, também, confortável com o uso de uma nova metodologia. A proposta é mostrar o que existe, quais são os fundamentos, resultados alcançados, para a pessoa poder escolher sobre o que quer saber mais”, detalha Costa.

Continue a ler a reportagem sobre a modernização do curso de Engenharia de Materiais, na quarta edição da Revista UFSCar.

Facebook
Google+
Twitter
LinkedIn

Deixe uma resposta

© 2019 Diário São Carlos. Todos os direitos reservados.